Audiência pública na Alesc debate fechamento de agências bancárias em SC

Audiência pública da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) vai debater nesta quarta-feira (5) “Os impactos econômicos e sociais do fechamento de agências bancárias em Santa Catarina”. Proposto pelo deputado Padre Pedro Baldissera (PT), o debate terá a participação da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Santa Catarina (Fetrafi-SC), de bancários e de economistas de todo o estado.

“Nosso objetivo, ao propor a audiência pública, é trazer ao público a discussão sobre as consequências do fechamento de agências bancárias no estado, principalmente nos municípios menores”, diz Padre Pedro. “Muita gente do interior ainda gosta de tirar o dinheiro do banco para fazer compras com o seu dinheirinho na mão, sem contar aqueles momentos em que é preciso fazer um pagamento, com transferência de uma conta pra outra.”

No debate, a Fetrafi-SC quer abordar a estratégia dos grandes bancos brasileiros. “Os bancos estão focados hoje na busca do resultado nos clientes de alta renda e, com isso, precarizam o atendimento da maior parte da população, dos assalariados, dos aposentados, enfim, começando pelo fechamento de unidades físicas”, diz Marco Aurélio Silveira Silvano, secretário geral da Fetrafi.

Ampliando o debate

O dirigente destaca que o fechamento de agências, para os bancários, representados pela Fetrafi, impacta do ponto de vista do emprego, embora a proposta seja ampliar esse debate. “Queremos debater sobre as dificuldades que muitos municípios, médios, pequenos, enfrentam quando fecha uma agência bancária. Há toda uma cadeia produtiva que perde com isso, o comércio deixa de vender”, explica Marco Silvano.

Outro ponto a ser abordado na audiência pública da Alesc, de acordo com o deputado Padre Pedro, é a digitalização dos serviços bancários. Para Marco Silvano, a digitalização provoca o aumento das fraudes, por causa do pouco cuidado que as instituições têm em proteger os clientes. “Esse é um debate amplo a respeito do sistema financeiro baseado no compromisso que a gente entende que é preciso ter com o desenvolvimento do país, com a geração de emprego, de renda. Para nós, essa estratégia da maior parte dos bancos hoje atende apenas ao interesse dos acionistas e não atende a esse compromisso com a sociedade”, diz o dirigente bancário.

Papel dos bancos públicos

O papel dos bancos públicos no desenvolvimento do país também entra na pauta do debate da audiência pública. De acordo com Marco Sabino, a Caixa, por exemplo, tem uma responsabilidade muito grande do ponto de vista do financiamento habitacional, do Minha Casa Minha Vida, enquanto o Banco do Brasil também é fundamental no atendimento dos pequenos e médios agricultores, com os programas do Pronaf, do Proger. “Aí, quando fecha uma agência, isso cria uma dificuldade muito grande de acesso a esse crédito para grande parte da população”, diz o dirigente sindical.

“Entendemos que os bancos públicos não podem simplesmente ser mais um concorrente nesse mercado tão disputado. Eles têm sim um papel fundamental para a sociedade, que vai além dessa disputa que os bancos públicos têm feito com os bancos privados. Os bancos têm que ter rentabilidade, os bancos têm que gerar lucro, mas esse lucro tem que reverter para a sociedade e não apenas para poucos”, diz Marco Sabino.

Foto Bruno Collaço/Agência Alesc

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