O deputado Padre Pedro Baldissera (PT) classificou o prefeito Topázio Neto, de Florianópolis, de “oportunista da política pequena”, depois que ele atacou o governo Lula na abertura da Feira do Mel em razão das regras aplicadas à pesca da tainha. Padre Pedro lembrou que as cotas para a modalidade de arrasto foram regulamentadas durante o governo Bolsonaro, sob a gestão do então secretário Nacional da Pesca, Jorge Seif, hoje senador.
Setores da extrema-direita, na avaliação de Padre Pedro, tentaram transformar uma discussão técnica em disputa política, explorando a legítima preocupação dos pescadores para produzir desgaste ao governo federal. “É justamente em períodos pré-eleitorais que precisamos ter mais responsabilidade. A pesca da tainha não pode ser transformada em palanque político. Tem tubarão na rede embaraçando o debate. Estamos falando de uma espécie que exige manejo responsável, baseado em estudos científicos e na preservação para as próximas gerações”, destacou.
Diálogo com pescadores e técnicos
Para o deputado Padre Pedro, é falsa a narrativa de que o governo federal tenha supostamente desrespeitado Santa Catarina ou ignorado os pescadores catarinenses. “O trabalho foi intenso esta semana aqui no estado e em Brasília para resolver o impasse herdado de regras construídas anteriormente. O governo Lula buscou o diálogo, ouviu os pescadores, os pesquisadores e os órgãos técnicos, culminando com a publicação da portaria que ampliou em 430 toneladas a cota da pesca da tainha”, afirmou.
O deputado ressaltou que a decisão do governo levou em consideração não apenas aspectos econômicos e sociais da pesca, mas também a necessidade de evitar que o tema fosse contaminado pela polarização política. “O presidente Lula sempre demonstrou compromisso com os pescadores brasileiros. Foi em seu governo que o setor ganhou protagonismo nacional com a criação do Ministério da Pesca e Aquicultura, fortalecendo políticas públicas voltadas à pesca artesanal e ao desenvolvimento sustentável da atividade. Quem conhece essa trajetória sabe que nunca faltou atenção aos trabalhadores da pesca”, afirmou.
Equilíbrio: preservação e trabalho
Padre Pedro também destacou que as cotas continuam sendo um instrumento importante de gestão pesqueira. “Não podemos simplesmente eliminar todas as restrições por decisão política. A tainha é uma espécie migratória e reprodutiva que precisa de proteção para garantir sua renovação. Nosso desafio é construir equilíbrio entre a preservação ambiental e a garantia de trabalho e renda para os pescadores de hoje e das próximas gerações.”
Segundo Padre Pedro, a ampliação das cotas ocorreu depois de amplo processo de diálogo por meio do Grupo de Trabalho de Acompanhamento da Safra e com base em dados técnicos e científicos. A mobilização envolveu o Ministério da Pesca e Aquicultura, o Ministério do Meio Ambiente, a Superintendência do MPA em Santa Catarina, representantes dos pescadores, pesquisadores e a articulação do ex-presidente do Sebrae, Décio Lima, e dos deputados federais Ana Paula Lima e Pedro Uczai.
“O resultado demonstra que o diálogo e a construção coletiva produzem soluções muito melhores do que a exploração política dos problemas. O governo ouviu todos os lados e encontrou uma saída responsável para a situação, sem colocar em risco o futuro da pesca da tainha”, disse Padre Pedro.
Foto: Rodrigo Corrêa/Agência Alesc





