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 Ensinar a filtrar o ciberespaço
Publicado em 08 de Outubro de 2014

Vejo com receio a proibição ou a limitação excessiva às ferramentas da tecnologia impostas aos estudantes na quase totalidade das instituições de ensino, privadas ou públicas. Agora avançando mais de uma década no século XXI insistimos em, por exemplo, condenar e restringir a tecnologia ao invés de utilizá-la como aliada do aprendizado. Acreditamos proteger crianças e adolescentes quando apenas os distanciamos de uma utilização racional e produtiva da tecnologia.

Nosso país esbarra em um passivo na educação construído há décadas, senão séculos, e ele não será resolvido de uma hora para outra. A precarização estrutural e de formação do ensino é resultado da omissão e negligência coletiva, de órgãos públicos até aquela família cuja prioridade nunca foi manter as crianças na escola. É um conjunto de equívocos, como por exemplo, a realidade de abandono sistemático de educadores e educadoras. Tenho plena convicção que a desvalorização seria revertida com gestão participativa e inclusão, conceitos há décadas esquecidos pela maioria dos gestores públicos.

Agora, cegos por uma avaliação apressada e superficial, repetimos novo equívoco ao perder a chance de pensar o ciberespaço (ao invés de proibi-lo), de utilizar a tecnologia em benefício da educação (ao invés de condenar seus malefícios). Proponho aqui um parâmetro de avaliação que não sentencia o conjunto de tecnologias como um problema, mas sim uma solução.

A internet, as redes sociais, enfim, o acesso permanente a um universo infindável de relações e conteúdos – com ou sem valor – não será controlado a partir da proibição, mas sim assumindo a ideia de que o fundamental é conduzir, orientar e elucidar nossos estudantes para que filtrem e avaliem de forma crítica estes conteúdos e ferramentas às quais têm acesso na palma de suas mãos.

Pergunte a si mesmo qual é a função da escola? Qual é o resultado que esperamos dela? Se a resposta é formar cidadãos autônomos, proativos e preparados para serem protagonistas nos mais diversos espaços sociais, o caminho certamente não passa pela restrição inócua e sistemática às novas tecnologias. A proposta aqui é um meio termo, de forma que sejam integradas relações e conteúdos virtuais e a fundamental interação e convívio real.

Se o que nos assombra é a dependência das novas gerações por relações muitas vezes superficiais e virtuais, a resolução deste e de outros novíssimos conflitos está em utilizar estes mesmos instrumentos na valorização de um cotidiano diverso. As ligações reais nas ruas, praças e outros espaços de interação social, bem como a própria humanização destas relações, serão reconstruídas e valorizadas a partir também das ferramentas virtuais que repelimos e assustam por serem novas, portanto, ainda dependentes de avaliações consistentes. A história mostra que o novo sempre causa temor. Cabe-nos esmiuçar o novo, não rechaçá-lo.

Padre Pedro Baldissera
Deputado Estadual



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