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 Água, a pauta de todos e todas nós
Publicado em 03 de Fevereiro de 2014

É interessante observar, neste período, o quanto o tema da falta de água toma conta dos noticiários e da vida das pessoas. Como de costume, o tema entre em debate quando a escassez bate a porta, e é sobre isso que precisamos agir.

A preservação da água - ou sua escassez - não deve ser restrita a tema para redação no ensino fundamental ou vestibular. Muito menos é positivo que figure como pauta principal no verão, quando sua falta torna-se motivo de desespero. A água e a situação clara de escassez que vivemos há décadas devem figurar como temas centrais da sociedade, dos parlamentos, dos governos. No entanto, o que vejo é uma relação de certa forma hipócrita de todos nós com o líquido mais precioso para a vida humana.

Realizamos inúmeros simpósios, seminários e debates em todo Estado, através do Fórum do Aquífero Guarani, entre 2003 e 2006, e 2010 e 2013. Muitas destas atividades com boa participação de estudantes, professores e autoridades de municípios, a maioria no interior do Estado, na área de abrangência do Aquífero. No entanto, os encaminhamentos, na prática, sempre acabam em segundo plano no ordenamento das ações. E esta é uma crítica ao próprio espaço onde atuo, o Legislativo Estadual.

Uma pesquisa do projeto Rede Aquífero Guarani/Serra Geral, divulgada pelo Fórum em novembro de 2013, apontou que as quatro principais bacias hidrográficas catarinenses sofrem com problemas graves de poluição e de redução do volume de vazão. Os resultados são preocupantes. Mais alarmante, no entanto, é observar que governos e legislativos praticamente ignoram o tema.

O que é comum, e sobre isso quero refletir, é que a pauta do ganho financeiro ultrapassa, sempre, a pauta da vida. O debate, que deve ser humano e social, envereda quase sempre para o tal “inevitável preço do desenvolvimento”. Ou seja, muitos daqueles que, por exemplo, indignam-se com a escassez de água neste período de pouca chuva e muito calor, são os mesmos que, ao longo do ano, defenderão a construção de um condomínio sobre uma área de banhado. Ou então, que considerarão uma “perda menor” caso a poluição em um rio for necessária para gerar alguns milhões em lucros para determinado grupo ou conglomerado empresarial.. Isso significa, neste pensamento, um “mal necessário” para gerar empregos e riquezas (mesmo que muitas vezes seja a riqueza de um e a míngua de muitos).

Mas ele será necessário mesmo? E qual o preço que pagamos por isso? Somos capazes de investir, no mundo, 5 mil vezes mais em prospecção de petróleo do que na preservação de mananciais hídricos. Sempre digo que nunca vi ninguém acordar pela manhã e tomar um copo de petróleo. É claro que precisamos deste combustível, como precisamos de papel, de roupas, de milhares de produtos. E também precisamos de empregos. Mas será que não estamos, todos e todas, perdendo dia a dia nossa capacidade de ver o essencial, de nos voltarmos para questões primordiais. Não estaríamos atrelando um consumo desmedido a uma desmedida relação parasitária com a natureza e, principalmente, com a água?

Qual o preço deste conceito tão confuso de “desenvolvimento”? E qual é o objetivo? O que queremos com esta ideia de crescimento supostamente infinito?

Talvez a grande questão esteja em fazer todos os espaços, sejam eles políticos, econômicos ou sociais, voltarem-se para quem mais importa: o mundo e quem vive nele. Precisamos acabar com a prática de justificar tudo em nome de ganhos econômicos. É necessário, sim, fazer a política, a economia e a própria ação social voltarem seu foco para a vida, porque fica muito claro que perdemos algumas prioridades pelo caminho.

Padre Pedro Baldissera é deputado
estadual, padre, formado em Filosofia e Teologia, e atua junto a movimentos
ligados à terra, à agricultura familiar e camponesa, à preservação da natureza
e aos direitos humanos. Preside o Fórum Permanente de Preservação do Aquífero Guarani
e das Águas Superficiais e o Fórum Parlamentar de Agricultura Agroecológica.


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